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terça-feira, 11 de agosto de 2015


(Gratidão ao amor de um gato)
Cosmo,
Na sua cama 
quem dorme agora
é o vazio.
Pude ouvi-lo brincando
em meio a um delírio febril.
O sofrimento é um escândalo.
Arrumei seu quarto
sete dias na semana
Mas você só habita minha lembrança.
A flor seca é simbólica
Mas depois dessa súplica
Nascerá uma árvore
Na sua sepultura.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Queimando a ponta dos pés
no asfalto quente da vida


Feito gente, feito fase.
Eu te amei, como pude.
Fui inteiro, fui metade.
Eu te amei, como pude.

Fui a faca e a ferida.
Eu te amei como pude.
Feito bicho que se espanta.
Eu te amei como pude.
Quando chegam a morte e a vida

Feito lixo que se queima.
Eu te amei como pude.
Feito chama quando arde.
Eu te amei como pude.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Náufrago dos Versos


Cheiro de chá de camomila
invadindo a manhã
Os papéis envelhecidos 
acumulam-se na mesa.
Estou ca(n)sada.
Olheiras afundam meus olhos
Tiros os anéis de cigarro
poética ecológica.
Minhas palavras pesam,
um navio imerso no óleo.
Âncora perdida.
Desvios de comunicação,
sinais de fumaça em vendavais.
Silêncio incondicional.

Descanso (e)Terno


(Gratidão ao amor de um gato)
Cosmo,
Na sua cama 
quem dorme agora
é o vazio.
Pude ouvi-lo brincando
em meio a um delírio febril.
O sofrimento é um escândalo.
Arrumei seu quarto
sete dias na semana
Mas você só habita minha lembrança.
A flor seca é simbólica
Mas depois dessa súplica
Nascerá uma árvore
Na sua sepultura.

domingo, 10 de maio de 2015

A arte viva que a memória ama


"Entra pra ver
Como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
Aquela gaveta"
Há quatro anos atrás eu tinha praticamente o mesmo rosto, cabelo colorido porque queria a qualquer custo afirmar uma identidade, um emprego que eu adorava e me consumia muito, um blog que eu escrevia com muito mais frequência do que escrevo agora, relacionamentos complicados e um sonho que parecia impossível. Estava descobrindo o mundo e me descobrindo. Não sei até que ponto minha adolescência foi um tanto tardia, não sei até quando terei as crises existenciais chamadas de crises da juventude.
Lembro que no ano de 2012 eu fiz muitas descobertas. Descobri lentamente minha vontade de mudar o mundo, quando um rapaz cantou "Podres Poderes" em um sarau que eu nunca tinha reparado o quanto foi significativo na minha vida.
Reafirmei minhas amizades, fortaleci minha vontade de escrever. E acima de tudo, sabia exatamente o que eu queria ser.
"Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas
Pra não te magoar."
Agora eu tenho esse rosto juvenil, cabelo comprido e normal porque cansei de gastar tempo e dinheiro com esses fios, conquistei meu sonho, virei professora e saí da casa da minha mãe. Tenho um monte de animais de estimação e plantinhas. Não tenho nenhuma certeza do que quero ser.
Sábado, naquele sarau, eu senti falta do brilho que as descobertas tem. Senti falta de um espírito de porraloquice que eu imaginei ter, senti falta das pessoas que estiveram comigo no primeiro sarau que fui no centro de convivência. Essas pessoas envelheceram. Eu envelheci. Envelhecer é uma palavra forte, dói. Envelhecer me lembra rugas e perda de memória. Eu só lembro do que minha memória ama.
E a minha memória ama as pessoas que querem viver de arte, gente que se importa com coisas simples, gente que escreve cartas, gente que abraça, gente que vomita no papel. Minha memória ama gente.
Sábado, naquele sarau eu senti falta de gente. Claro, haviam muitas pessoas lá. Música boa, um palhaço engraçado... Mas não vi minha gente. Alguma coisa se perde com o tempo, como poeira. Talvez o que a memória ama seja só uma projeção.

"Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém."
Uma grande amiga me deu um presente inesperado. Demorei para abrir, precisava esperar o momento certo. Hoje a noite, enquanto ouvia essa chuva bonita açoitando a janela e matando a sede das minhas plantas, resolvi ler aquele cartão postal bonito que me alegrou deveras.

"Mas fica um pouco mais
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom."
Tudo mudou, é verdade. Mas que bom que algumas coisas mudam e ainda ficam. Eu sempre admirei muito as pessoas porque elas são isso: seres mutáveis. Apesar d'eu me machucar muito, ainda restam bonitezas cotidianas. Ano passado eu voltei a escrever por causa dessa amiga
.
Hoje, depois daquele sarau, alguma coisa não faz tanto sentido, mas ainda sim fica bonito e interessante. Talvez algumas coisas percam o brilho para outras ascenderem. Maturidade é sempre bem-vinda, mesmo ela sendo sempre irresponsável - e jovial?
Eu não canso de ser confessional.
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Por muito tempo
eu senti uma saudade doída.
Hoje a que me acomete
é toda colorida.

Bordada com afagos
feitos pela amanhã,
regada pelos "gastos"
de noites mal dormidas.

(silêncio)

Tua saudade é líquida, rapaz
escorrego pelo rosto,
mas é doce, traz paz.

Tua saudade é bem-vinda
o tempo longe é o gozo futuro
é o carinho de mãos cheias de vida.

(aqui deste lado eu guardo aprendizados para lhe mostrar como conchinhas.)

sábado, 9 de agosto de 2014

Fardo

Que culpa eu tenho de querer caminhar com as próprias pernas?
"Lana, eu não vou aguentar outra traição."

Eu tenho medo.
E este medo é uma fusão de todos os medos que eu tive, e mais um pouco de fermento. Nunca estive tão perdida quanto agora. Minhas mãos tateiam o escuro, meus lábios tremem segurando choro. Meu coração teme. Mesmo que todos digam que estou certa, quem me trouxe ao mundo grita que estou toda errada e sofrerei as consequências.
É como ser uma espécie de Frankenstein.
Um aborto ao contrário.
Uma aberração.
Certa vez alguém me disse que para estarmos bem, precisamos nos sentir parte de algo. Não me sinto parte de nada, tampouco de mim mesma.
Quando olho no espelho, sinto que sou um reflexo de nada.
O exército que um dia esteve aqui dentro combatendo todas essas dores está cansado. E, mesmo que todos segurem minhas mãos, sinto que somente eu poderei atravessar essa ponte cheia de mudanças. Sinto que não conseguirei.

Nos momentos de lucidez me imagino andando de bicicleta em um dia ensolarado. O vento bate em meu rosto, meu coração está leve, e minha consciência está tão limpa que consigo sorrir todos os segundos possíveis. Talvez esta seja minha sensação de liberdade. Talvez isso seja a sensação de felicidade.

Espero aguentar toda essa tempestade passar.
Nunca estive tão triste.

domingo, 3 de agosto de 2014

O Labirinto Místico


A neblina encobre o labirinto da vida
como se não bastasse todos os desencontros
e todas as partidas,
ainda restam as dúvidas
dessas inconvenientes que tiram o fôlego
e parecem nunca ser resolvidas.

Há tantos monstros em minha mente.
Não fui eu quem os criou.
Há versos vazios ilustrando o momento,
palavras duras martelando no meu coração
e rimas fracas para aliviar o tormento.

Estou cansada de tantos nós,
O alívio só  surge a sós.
A vida é como um grande circo místico
tal como a música do Chico Buarque com o Edu Lobo.

"Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real"

Não sabemos como funciona essa engrenagem
e o que sobra já que  estamos só de passagem.
"Não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnação"

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Hoje eu estava andando sozinha na rua e um cara me assediou. Passou a mão em meu seio descaradamente e saiu andando como se não tivesse feito nada.
Como aquilo que ele tocou não tivesse sido um corpo, um ser humano, uma mulher.
Eu já sabia que machismo existia, mas nunca havia me sentido como me senti hoje. Como um objeto, um pedaço de carne.
O que eu fiz na hora? Empurrei o braço do cara e gritei. Mas não adiantou nada. As pessoas envoltas não se importaram. Fiquei ali parada, enquanto ele ia embora e tudo que eu sentia era impotência e humilhação.
Agora, horas depois, tomei coragem para escrever. Tanto para aliviar minha angústia, quanto para dizer que não devemos nos calar diante dessas situações.
Machismo existe sim, e não desejo que ninguém passe pelo que passei para saber.
Andar sozinha na rua não é um convite.
Minha roupa não é um convite.
MEU CORPO, ASSIM COMO O DE NENHUMA OUTRA MULHER É UM CONVITE.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

SufocoSUFOCOsufocoSUFOCO

Colocaram um saco de pão na minha cabeça.
No sentindo literal, claro... Que não.
Só sinto que estou sufocando todas minhas esperanças, e tudo está se despedaçando aos poucos. Inclusive as coisas boas que eu achava ter dentro de mim.

Eis que o relógio toca as seis da manhã, eu me reviro na cama, reviro os olhos, reviro tudo, pra achar bem lá no fundo, a vontade de levantar da cama. Encontro-a, toda sonolenta.
Coloco pra tocar uma música qualquer que na maioria das vezes lembra nós.  Essa mania que seres humanos do tipo sanguíneo "sentimental ++" tipo eu, tem de ser agarrar a tudo que aqueça o coração e remeta ao amor.
Trabalho mal humorada, com o meu lado político inquieto por sentir que estou traindo todos os meus ideias me submetendo a um emprego que reproduz tudo que eu não acredito.  Ai eu lembro das minhas contas e lembro que infelizmente vivemos em um sistema que não me permite escolher o tempo todo onde quero trabalhar.
E a rotina se repete em escadas, café, crianças correndo, desenhos bonitinhos, abraços aconchegantes, xerox para tirar, pressão psicológica pra sentir e o ponteiro do relógio que demora para se deslocar.
(Eu queria conseguir chorar. Ou mandar tudo a merda e viver da minha arte... OPA! Eu não tenho arte.)
Vou para casa, almoço, luto com todas as minhas células pulsando pedindo para eu deitar na cama e dormir. 
Demoro bastante pra chegar na Unicamp pra estudar, estudar, estudar ou fingir que estou estudando (como agora).
E a rotina se repete entre escadas, árvores, as flores bonitas da primavera no campus, sorriso de amigas, debate político, vontade de ser abraçada.
(Eu quero chorar!)
Colocaram um saco de pão na minha cabeça e é como se ele se apertasse lentamente a cada dia. Ou se transformasse em uma sacola plástica e tirasse o ar...

D E V A G A R
D  E   V A G AAR
Sinto que não posso mais segurar certas coisas, sinto que não consigo lidar com meus próprios sentimentos e isso é a pior das dores.
Não conseguir cuidar de si mesmo. É realmente a pior das dores.
Então eu resolvi escrever! Pra ninguém ler, e pra ninguém precisar ouvir.
Antes que eu não consiga mais suportar.
"Sou ao mesmo tempo a minha melhor e pior companhia!
Dá vontade de escrever, te falar, sussurrar baixinho: não solta da minha mão.
E ao contrário do que já, já vi fazerem e até já fiz, isso não é uma queixa, é só um desabafo, do tipo, preciso me encontrar, pra não me perder de nós.

Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer
Quero viver...
.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Todos os Era(s) de Todas as Eras

Era uma vez uma menina que queria ser cronista de jornal e hoje não consegue escrever uma frase bem elaborada que não seja trabalho acadêmico...
Marcella, 1910, Ernst Ludwig Kirchner.

- Alô? Telefonista? Você topa jogar conversa fora?
Essa frase clichê que iniciaria um diálogo mais clichê ainda sempre passa na minha cabeça quando estou querendo conversar. Talvez passe na cabeça de muita gente, inclusive de quem já leu uma tirinha do Peanuts em que o Charlie Brown faz algo semelhante. 
Mas eu não teria coragem de fazer tal coisa. Talvez se eu abordasse alguém que estivesse sozinho na Unicamp seria muito mais proveitoso (ou não).
- Oi, meu nome é Lana, faço Pedagogia e gosto de suco de laranja... Vamos na cantina da física comer coxinha de quatro queijos? Eu sempre quis ir lá comer com alguém e nunca ninguém topou. 
Isso só aconteceria nas minhas crises de extroversão que acontecem no máximo uma vez por mês. Nos outros vinte e nove dias eu fujo até dos horários que o bandejão está lotado.
Pensei em ligar para um grande amigo, dizer que ele é um grande "píííí´" e que estou com saudade de ir a praças ouvir ele tocando violão e ficar falando da vida. Mas ultimamente ele tem estado tão ocupado quanto eu.
Ontem eu pensei em escrever uma carta para o meu pai, dizendo que ele vai morrer sem saber o que é família e que eu não queria estar no lugar dele. Mas eu não sou a favor de destribuir rancor. Eu estava chateada só por ter um vazio na minha vida quando o assunto "família" entra em pauta.
Nesse clima de escrever cartas (sim, cartas, nada de email), começaria destinando aos meus mortos lapidados na lembrança, mas seria um zero a esquerda, seria como servir sentimentos em bandeja de ouro para quem gosta de comer em pratinho de papelão. Optei a escrever pra quem eu magoei, mas de nada serviria pois não apagaria as pegadas de sujeira que deixei em seus livros dos dias. Sobrou quem eu tenho afeto desde quando eu era adolescente, mas é mais gostoso contar os causos da vida tomando cerveja ao som de uma banda qualquer. Pensei em ligar para aquele rapaz está em um lugar previlegiado do meu coração, mas eu não saberia explicar direito tudo que eu sinto por causa das cicatrizes interiores e ficaria aquele silêncio constrangedor, eu diria que o amo, ele diria que também e eu iria querer dizer um monte de coisas sentimentais que já estão tornando-se repetitivas porque eu derramo afeto desde a hora que eu acordo. Além disso ele está trabalhando...
Decidi escrever uma historia de amor em que duas pessoas se conhecem no metrô, decidem ir para um bar, descobrem que são "almas gêmeas", dançam Beatles até o dia clarear e depois fazem amor selvagemente em um hotel meia estrela na hora do café da manhã. Porém, meu "eu lírico" não está aflorado o suficiente pra "botar pra quebrar" na imaginação depois desses meses criando poeira no blog. (Traduzindo: estou com preguiça) Quem sabe um dia eu desenvolva essa história. Sugestões são bem vindas.
Pensei em um monte de coisas e sei muito bem a causa disso doutor: Eu tinha um futuro promissor inventado na cabeça e hoje eu não sei o que fazer. Às vezes dá vontade de gritar bem alto quando alguém me pergunta se eu estou gostando do curso "OLHA, EU AMO LETRAS, EU AMO LITERATURA, EU QUERO MORAR NO IEL, QUERO ESCREVER UM LIVRO, QUERO ESTUDAR AS PALAVRAS E NO MOMENTO EU ESTOU APRENDENDO COMO PENSAM AS CRIANÇAS E EU ESTOU FAZENDO TUDO ERRADO (!!!) e então eu sussurraria "me abraça" aos prantos. Mas acontece que essa frase só seria um pouco verdade, afinal, a Pedagogia tem me conquistado, só que eu sinto que estou me traindo deixando meu sonho de lado. Tenho a sensação de estar empurrando com a barriga minha carreira.
E aí surge a vontade de conversar, para desviar a atenção, mas eu não posso conversar e então eu escrevo. Mas escrevendo eu falo demais, tiro minha roupa, cuspo na sua tela quem eu sou sem a menor cerimônia. Eu queria ser misteriosa, mas por enquanto só dá pra ser eu mesma.
No final, sobrou esse monte de nada amontoado em palavras, destinado a ir para a gaveta  lugar dos temporáriamente esquecidos ou esse blog, que as aranhas já tomaram conta. Isso de despir os sentimentos em palavras para desconhecidos talvez me faça mal um dia. Hoje é a única solução.

Era uma vez é uma expressão que eu acho bem ruim. Nunca entendi muito bem e nunca soou bonito. 

Lana era uma menina que queria ser cronista de jornal e hoje está lutando para sair do hiato criativo e voltar a escrever. Bem melhor, não?


terça-feira, 4 de junho de 2013

a  paciência foge
a calma foge
o vazio fica.

a ternura ao próximo extravasa por medo do vazio aumentar
fique aqui comigo, por favor!
que tal carinho?
poxa, mas eu preciso mesmo pedir?
você não vai ligar?
você podia me fazer uma surpresa...
você podia passar em casa
há mais buracos no meio coração do que na minha rua.
o silêncio grita.
não tem terapia amanhã, menina! Vai falar sozinha mais um pouco.
ei menina, onde está o amor próprio?
vai se perder outra vez?
e meus amigos, cadê?

sábado, 27 de abril de 2013

No escuro, antes de adormecermos, ele disse baixinho:
- Você é minha mulher.
(coração)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Deglutir


- Você já enviou esse email?
- Saudade.
- Já fez o café?
- Saudade.
- O que aquele cliente queria?
- Saudade.
- Mandou quantos livros hoje?
- Saudade.
- Você está brava?
- Saudade.
- Parece tão distante.
- Saudade.
- Lana?
- Saudade.
- Ei você do espelho, o que fez comigo?
- Saudade, saudade, saudade, sauda...

Sumiu.
O dia em que a menina do sebo foi engolida pela saudade.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O sopro do medo


I.
Ventos do medo e da maldade
Despetalam
Despedaçam
Despistam as coisas boas
Despem a bondade.

II.
Uma flor nos ventos do mundo
O que sopra é
 Fugaz
Doloroso
Despetala
Desfalece
Desfaz
As dores do mundo despiu a flor.

III.
Há sensibilidade no miolo da flor
Destruíram as barreiras de seu coração
Mostraram-na como é cru viver com os pés no chão.

(Estou com medo do futuro hoje, mas só por hoje. Não há permissão para o medo monstruoso ficar por muito tempo.)

domingo, 18 de novembro de 2012

A Beleza dos (Re)Encontros



"Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa próxima estação."



Camiseta vermelha, calça jeans, tênis velho surrado, cabelo todo enrolado até os ombros, óculos, olhos claros e um olhar distante... Foi assim que eu o conheci.
Já perdi a conta de quantas vezes desisti de prestar atenção nas aulas de matemática por causa dele, em compensação decorei todos os tênis que ele tinha, adquiri prática em desviar o olhar e ocupar o pensamento com outras coisas em sua presença. Não havia outra escolha naquela situação, tanto para mim, quanto para ele.
No dia de sua despedida resolvi entregar seu retrato que eu havia desenhado - não era o primeiro, nem o último - para que ele levasse de recordação para Porto Alegre, cidade onde seria seu atual lar. Ele recebeu o desenho com um largo sorriso nos lábios, que eu guardei em um dos melhores lugares do meu coração.
Não havia solução a não ser esquecer e como naquele momento eu estava ganhando prática em não pensar no que doía, não foi tão difícil. De vez em quando dava saudade daqueles olhos lindos, mas não há muito o que se fazer quando caminhos se separam.
Depois de muitas neuroses e conversas com minhas amigas, cheguei a seguinte filosofia: "Chutar o balde" às vezes se faz necessário. Isso de deixar de fazer muitas coisas por  timidez impede que coisas boas entrem na sua vida por medo ou vergonha.
Lembro muito bem o dia que deixei minha timidez de lado mas prefiro não descrever... Burocracias de conversas a parte, nos demos muito bem. Não havia engano, as trocas de olhares eram recíprocas e uma afinidade praticamente instantânea nasceu. Conversas intermináveis, deixei horas ao ar livre para ficar praticando algo que eu não achava muito agradável: essa coisa de demonstrar afeto virtual, mas valeu todos os raios solares e ventos gelados que deixei de sentir. Em vez disso senti o coração quentinho e uma vontade imensa de estar pertinho.
Em meio a convites de "venha me visitar" de diversas maneiras, eu decidi, quase sem querer, escrever-lhe uma carta. Sou dessas que gosta de demonstrações de carinho da maneira antiga. (A primeira nem chegou e eu já estou querendo enviar outra.)
No trabalho, passei a ouvir mais Rock Progressivo porque isso o lembrava, tomei mais chá mate, para lembrar da teoria que debates a respeito de chás em uma dessas madrugadas. Engraçado, quando a saudade bate, procuramos das maneiras mais inusitadas suprir a necessidade de outro alguém que sentimos.
Não sei se ele  volta para cá, não sei se tudo isso resultará em algo a mais que uma boa amizade, mas tenho como realizado o meu desejo de conhecer um pouco mais do rapaz com os cachinhos mais lindos que eu já vi.
Outra coisa bonita que aprendi nesses dias: Melhor caminhar com saudade do que caminhar sozinho. Aos que me conhecem e sabem quão sentimental eu sou, já estava na hora desse meu lado reaparecer, não é? Mesmo que seja um tanto camuflado e de pés no chão.
O bonito da vida está nisso: Gostar das pessoas pelo que elas são inteiramente nos pequenos detalhes. E encontrar-se nos desencontros e reencontros que viver traz.

domingo, 11 de novembro de 2012

"Que sufoco, louco!"


Corra, você só tem um ano.
Corra, faltam três meses.
Não corra mais, falta uma semana, mas permaneça caminhando.
É hoje! Dê o melhor de si.
- Quantas coisas passam pela sua cabeça em momentos decisivos da sua vida? É difícil lembrar detalhadamente.
Coração acelerado. Faltam trinta minutos. Chute três questões, passe para o gabarito. As mãos tremem. 
- Por que você quer tanto isso? É só uma prova. É só uma Universidade. A vida é muito mais que isso.
Flashback: Um ano atrás
- Qual é o seu maior sonho? 
- Passar na Unicamp em Letras, ser professora e conseguir mudar para melhor a vida de algumas pessoas.
- Não é só uma prova... O tema da redação era pessimismo. Os céus estão mandando um sinal?
- Mas você aparentemente foi melhor que o ano passado, por que está tão triste?
- Eu não sei, estou sentindo um vazio tão grande. Ocupei minha vida com o vestibular e agora não sei o que fazer e eu não sou uma pessoa otimista.
Silêncio.
- Vou dormir, está tarde, estou com saudade da pessoa mais aleatória do universo e estou exausta. Sinto tanta falta de escrever de verdade, não só desabafos ou crônicas sem conteúdo. Bateu uma solidão danada agora. Tudo que eu preciso é um corpo quentinho que envolva sentimentalismo bobo para eu confundir as pernas e um pouco de otimismo. Mas isso é quase impossível.
- Um abraço serve?
-Um abraço seria maravilhoso.
- Enxuga essas lágrimas, menina. Você é muito mais que um número.