sábado, 9 de agosto de 2014

Fardo

Que culpa eu tenho de querer caminhar com as próprias pernas?
"Lana, eu não vou aguentar outra traição."

Eu tenho medo.
E este medo é uma fusão de todos os medos que eu tive, e mais um pouco de fermento. Nunca estive tão perdida quanto agora. Minhas mãos tateiam o escuro, meus lábios tremem segurando choro. Meu coração teme. Mesmo que todos digam que estou certa, quem me trouxe ao mundo grita que estou toda errada e sofrerei as consequências.
É como ser uma espécie de Frankenstein.
Um aborto ao contrário.
Uma aberração.
Certa vez alguém me disse que para estarmos bem, precisamos nos sentir parte de algo. Não me sinto parte de nada, tampouco de mim mesma.
Quando olho no espelho, sinto que sou um reflexo de nada.
O exército que um dia esteve aqui dentro combatendo todas essas dores está cansado. E, mesmo que todos segurem minhas mãos, sinto que somente eu poderei atravessar essa ponte cheia de mudanças. Sinto que não conseguirei.

Nos momentos de lucidez me imagino andando de bicicleta em um dia ensolarado. O vento bate em meu rosto, meu coração está leve, e minha consciência está tão limpa que consigo sorrir todos os segundos possíveis. Talvez esta seja minha sensação de liberdade. Talvez isso seja a sensação de felicidade.

Espero aguentar toda essa tempestade passar.
Nunca estive tão triste.

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