Acendi duas velas
pensando em teu nome
nunca fui religiosa
e só usava a igreja
para ir ao banheiro
hoje chorei no altar
não é redenção
esqueci quem sou eu
no rio dos teus olhos
apelei para tudo
em busca de um
mapa, uma bússola,
mas nem descarrego
e três dias de oração
fizeram-me esquecer
o teu cheiro.
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terça-feira, 13 de outubro de 2015
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
nau.frágil
I.
Fiz um samba-canção para você
sair da melancolia dos meus dias
disseram-me que o amor
era naufrágio
e que na nossa relação
eu sou a ponta mais fraca
da corda que nos une
desconhecem
que na vida todos somos
bailarinas na corda bamba
e se a nau é frágil
os dias, os corações
e até mesmo as orações
igualmente são.
II.
Emergir deve ser
sair do fundo do poço
e voar como um balão
sobre a cidade sitiada
ou tocar flauta
para camelos no saara
depois de tomar
suco de limão e hortelã.
Fiz um samba-canção para você
sair da melancolia dos meus dias
disseram-me que o amor
era naufrágio
e que na nossa relação
eu sou a ponta mais fraca
da corda que nos une
desconhecem
que na vida todos somos
bailarinas na corda bamba
e se a nau é frágil
os dias, os corações
e até mesmo as orações
igualmente são.
II.
Emergir deve ser
sair do fundo do poço
e voar como um balão
sobre a cidade sitiada
ou tocar flauta
para camelos no saara
depois de tomar
suco de limão e hortelã.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Queimando a ponta dos pés
no asfalto quente da vida
no asfalto quente da vida
Feito gente, feito fase.
Eu te amei, como pude.
Fui inteiro, fui metade.
Eu te amei, como pude.
Fui a faca e a ferida.
Eu te amei como pude.
Feito bicho que se espanta.
Eu te amei como pude.
Quando chegam a morte e a vida
Feito lixo que se queima.
Eu te amei como pude.
Feito chama quando arde.
Eu te amei como pude.
domingo, 10 de maio de 2015
A arte viva que a memória ama
"Entra pra ver
Como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
Aquela gaveta"
Como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
Aquela gaveta"
Há quatro anos atrás eu tinha praticamente o mesmo rosto, cabelo colorido porque queria a qualquer custo afirmar uma identidade, um emprego que eu adorava e me consumia muito, um blog que eu escrevia com muito mais frequência do que escrevo agora, relacionamentos complicados e um sonho que parecia impossível. Estava descobrindo o mundo e me descobrindo. Não sei até que ponto minha adolescência foi um tanto tardia, não sei até quando terei as crises existenciais chamadas de crises da juventude.
Lembro que no ano de 2012 eu fiz muitas descobertas. Descobri lentamente minha vontade de mudar o mundo, quando um rapaz cantou "Podres Poderes" em um sarau que eu nunca tinha reparado o quanto foi significativo na minha vida.
Reafirmei minhas amizades, fortaleci minha vontade de escrever. E acima de tudo, sabia exatamente o que eu queria ser.
Lembro que no ano de 2012 eu fiz muitas descobertas. Descobri lentamente minha vontade de mudar o mundo, quando um rapaz cantou "Podres Poderes" em um sarau que eu nunca tinha reparado o quanto foi significativo na minha vida.
Reafirmei minhas amizades, fortaleci minha vontade de escrever. E acima de tudo, sabia exatamente o que eu queria ser.
"Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas
Pra não te magoar."
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas
Pra não te magoar."
Agora eu tenho esse rosto juvenil, cabelo comprido e normal porque cansei de gastar tempo e dinheiro com esses fios, conquistei meu sonho, virei professora e saí da casa da minha mãe. Tenho um monte de animais de estimação e plantinhas. Não tenho nenhuma certeza do que quero ser.
Sábado, naquele sarau, eu senti falta do brilho que as descobertas tem. Senti falta de um espírito de porraloquice que eu imaginei ter, senti falta das pessoas que estiveram comigo no primeiro sarau que fui no centro de convivência. Essas pessoas envelheceram. Eu envelheci. Envelhecer é uma palavra forte, dói. Envelhecer me lembra rugas e perda de memória. Eu só lembro do que minha memória ama.
E a minha memória ama as pessoas que querem viver de arte, gente que se importa com coisas simples, gente que escreve cartas, gente que abraça, gente que vomita no papel. Minha memória ama gente.
Sábado, naquele sarau eu senti falta de gente. Claro, haviam muitas pessoas lá. Música boa, um palhaço engraçado... Mas não vi minha gente. Alguma coisa se perde com o tempo, como poeira. Talvez o que a memória ama seja só uma projeção.
"Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém."
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém."
Uma grande amiga me deu um presente inesperado. Demorei para abrir, precisava esperar o momento certo. Hoje a noite, enquanto ouvia essa chuva bonita açoitando a janela e matando a sede das minhas plantas, resolvi ler aquele cartão postal bonito que me alegrou deveras.
"Mas fica um pouco mais
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom."
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom."
Tudo mudou, é verdade. Mas que bom que algumas coisas mudam e ainda ficam. Eu sempre admirei muito as pessoas porque elas são isso: seres mutáveis. Apesar d'eu me machucar muito, ainda restam bonitezas cotidianas. Ano passado eu voltei a escrever por causa dessa amiga
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Hoje, depois daquele sarau, alguma coisa não faz tanto sentido, mas ainda sim fica bonito e interessante. Talvez algumas coisas percam o brilho para outras ascenderem. Maturidade é sempre bem-vinda, mesmo ela sendo sempre irresponsável - e jovial?
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Hoje, depois daquele sarau, alguma coisa não faz tanto sentido, mas ainda sim fica bonito e interessante. Talvez algumas coisas percam o brilho para outras ascenderem. Maturidade é sempre bem-vinda, mesmo ela sendo sempre irresponsável - e jovial?
Eu não canso de ser confessional.
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Ainda lembra disso?
domingo, 26 de abril de 2015
sexta-feira, 27 de março de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Por muito tempo
eu senti uma saudade doída.
Hoje a que me acomete
é toda colorida.
Bordada com afagos
feitos pela amanhã,
regada pelos "gastos"
de noites mal dormidas.
(silêncio)
Tua saudade é líquida, rapaz
escorrego pelo rosto,
mas é doce, traz paz.
Tua saudade é bem-vinda
o tempo longe é o gozo futuro
é o carinho de mãos cheias de vida.
(aqui deste lado eu guardo aprendizados para lhe mostrar como conchinhas.)
eu senti uma saudade doída.
Hoje a que me acomete
é toda colorida.
Bordada com afagos
feitos pela amanhã,
regada pelos "gastos"
de noites mal dormidas.
(silêncio)
Tua saudade é líquida, rapaz
escorrego pelo rosto,
mas é doce, traz paz.
Tua saudade é bem-vinda
o tempo longe é o gozo futuro
é o carinho de mãos cheias de vida.
(aqui deste lado eu guardo aprendizados para lhe mostrar como conchinhas.)
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Ligação gratuita
Pudera, entre o barulho dos pingos da chuva assolando a janela, encontrar-me despida, com os poros abertos, despertos pela chegada de teu corpo junto ao meu. E calar-me só para ouvir detalhadamente seus suspiros.
Pudera eu, continuar a escrever, qualquer coisa, para mostrar ou não para você. A poesia que verte de meu coração, se transforma em versos cheios de saudade, em uma tela fria, vazia, e superficial que certamente não terá o efeito que eu queria em meio a essa noite fria.
Desperte de seu sono, não é o desperta-dor, sou eu ligando, jorrando amor.
- Alô?
- "Ligação gratuita...".
- ... - suspiros contínuos antes de adormecer com saudade, com nome, sobrenome, e sem muitas explicações.
Pudera eu, continuar a escrever, qualquer coisa, para mostrar ou não para você. A poesia que verte de meu coração, se transforma em versos cheios de saudade, em uma tela fria, vazia, e superficial que certamente não terá o efeito que eu queria em meio a essa noite fria.
Desperte de seu sono, não é o desperta-dor, sou eu ligando, jorrando amor.
- Alô?
- "Ligação gratuita...".
- ... - suspiros contínuos antes de adormecer com saudade, com nome, sobrenome, e sem muitas explicações.
sábado, 27 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Entrelaçando corações
As curvas das costas se curvam
Os poros abrem
A pele arrepia
Os braços se amam
As bocas se querem
Até raiar o dia.
Os poros abrem
A pele arrepia
Os braços se amam
As bocas se querem
Até raiar o dia.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Medida (in)certa
Eu não sirvo para o amor
O amor não cabe em mim
Não é meu número
Sempre que o visto
Transbordo
O amor que chegou se choca
E se funde com a minha alma.
Transbordo,
Não caibo em mim.
Impregna-me.
Não sou.
O amor é
E ele não serve mais para mim
Eu não caibo no amor
Pois não existo, sou parte dele
Eu sou o amor da cabeça aos pés
Cheio
Intenso
Que não se di vi de
Não há sobras
Nem me/io termos.
Você consegue lidar com isso?
(Despreocupado, estava em algum lugar na gaveta dos textos esquecidos e eu decidi liberta-lo!)
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Despindo-me com as Palavras
Se meus dedos pudessem escrever tudo que eu senti de bonito nos últimos dias, vocês leriam uma dissertação imensa que ilustraria um mundo de amor aqui no meu peito. Eu sempre soube escrever sobre coisas tristes, porque doem na alma e faz você querer colocar tudo que está sentindo "para fora". Mas a felicidade, ah! Essa danada, faz com que eu queira guardar tudo aqui, cada lembrancinha, como fotos de um mural. Mas eu sei o quão o tempo é traiçoeiro, e vai apagando tudo devagarzinho ao longo dos anos. Quando você percebe, não há mais tantos detalhes, há somente vestígios de dias bonitos. Por essa razão eu escrevo sobre hoje, ontem e anteontem... Eu quero eternizar esse momento. Quero eternizar as pessoas que tem me feito bem.
Nesse final de semana eu vi aproximadamente quarente pessoas envolta de uma mesa gritando "feliz aniversário" e olhando para mim. Juro que não acreditei! Passei um tempo sem crer em amizade, e agora esse sentimento voltou com muita intensidade. Cada uma daquelas pessoas é como uma estrela. Ainda há pessoas de bom coração no mundo. Não digo isso somente pela surpresa que fizeram, mas também, por tudo que elas fazem pelo mundo. Belchior diz na música Alucinação "Amar e mudar as coisas me interessa mais" e essa pessoas seguem essa linha de pensamento.
Mais do que conhecimento para o vestibular, eu ganhei pessoas incríveis na minha vida com o cursinho.
Além disso, há uma coisa chamada amor...
Jurei algumas vezes que o romantismo estava perdido! Que nesse mundo todo, não havia mais quem valorizassem uma carta de amor, beijos intensos em reencontros e mais um monte de coisas que as pessoas chamam de "brega"...
Até eu conhecer um rapaz muito bonito, no qual a história eu já contei um pedacinho aqui.
A chegada do amor acontece nas horas menos esperadas, tira o fôlego, te mostra o significado das letras de músicas românticas e te leva pra outra dimensão.
Há intensidade nos sorrisos, nos beijos e em toda intimidade dos mais simples gestos.
Esse rapaz desperta em mim vontade de ser melhor.
Algumas horas atrás eu estava olhando seu sorriso e fiquei refletindo sobre como alguém podia me fazer tão feliz com o simples gesto de sorrir. Eu queria que meus olhos fotografassem cada pedacinho desse rapaz. Cada detalhe seu é como uma obra de arte.
Até o beijo de "até logo" na rodoviária brota em meu peito coisas lindas, e gostinho de quero mais eu, você, nós no futuro. Há quem diga que isso é bobo, louco, perda de tempo... Eu digo que isso, é todo o meu ser, e consome todas as minhas vísceras, isso é o amor correndo em minhas veias.
Eu temia toda minha sensibilidade, hoje eu lamento por quem não soube lidar com ela, e lamento um pouquinho até por mim, que deixei de gostar da minha essência por coisas pequenas.
Eu queria poder escrever sobre tudo isso com menos clareza, depois dos acontecimentos passados, eu perdi a vontade de abrir sobre minha vida em páginas da internet, além do mais, sempre que eu escrevo sinto como se estivesse me despindo para desconhecidos. Despindo minha pele e mostrando minha alma.
Porém, esse dilema faz eu voltar para o ponto de partida: A necessidade de eternizar em palavras os ultimos acontecimentos.
Hoje eu estou escrevendo sem compromisso com a estética, com o enredo, começo, meio e fim da história, hoje, nessa noite brilhante só possuo compromisso comigo mesma e com todos os sentimentos que transbordam para as palavras e fazem sair água salgada de meus olhos. Sem medo do que os outros vão pensar.
O disco de vinil continua a tocar, está quase no fim, o incenso (na embalagem dizia que era para a inspiração, não sei se funcionou) também está acabando e eu preciso dormir pois minhas férias terminaram. Tem um sorriso morando no meu rosto.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Nas Cordas do seu Violão
A lua que víamos a distância a meses atrás, brilhava lá fora
Seus dedos deslizavam pelo violão
Seus olhos fechados enquanto cantava enchia de emoção o nosso agora.
Ah! Se meus olhos pudessem fotografar cada instante.
O amor transbordou em mim e meus olhos encheram d'água.
Meus lábios desejaram os seus, para compactuar nosso amor.
O coração mais afagado do que foi a vida toda
Desejou lhe dar carinhos sem ter fim.
A vida mostra-se demasiadamente bela em sua presença
E o seu amor recompensa todo o fardo que a vida as vezes tem.
Eu que o via tão distante
Hoje me delicio com sua presença a cada instante.
domingo, 18 de novembro de 2012
A Beleza dos (Re)Encontros
"Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa próxima estação."
Camiseta vermelha, calça jeans, tênis velho surrado, cabelo todo enrolado até os ombros, óculos, olhos claros e um olhar distante... Foi assim que eu o conheci.
Já perdi a conta de quantas vezes desisti de prestar atenção nas aulas de matemática por causa dele, em compensação decorei todos os tênis que ele tinha, adquiri prática em desviar o olhar e ocupar o pensamento com outras coisas em sua presença. Não havia outra escolha naquela situação, tanto para mim, quanto para ele.
No dia de sua despedida resolvi entregar seu retrato que eu havia desenhado - não era o primeiro, nem o último - para que ele levasse de recordação para Porto Alegre, cidade onde seria seu atual lar. Ele recebeu o desenho com um largo sorriso nos lábios, que eu guardei em um dos melhores lugares do meu coração.
Não havia solução a não ser esquecer e como naquele momento eu estava ganhando prática em não pensar no que doía, não foi tão difícil. De vez em quando dava saudade daqueles olhos lindos, mas não há muito o que se fazer quando caminhos se separam.
Depois de muitas neuroses e conversas com minhas amigas, cheguei a seguinte filosofia: "Chutar o balde" às vezes se faz necessário. Isso de deixar de fazer muitas coisas por timidez impede que coisas boas entrem na sua vida por medo ou vergonha.
Lembro muito bem o dia que deixei minha timidez de lado mas prefiro não descrever... Burocracias de conversas a parte, nos demos muito bem. Não havia engano, as trocas de olhares eram recíprocas e uma afinidade praticamente instantânea nasceu. Conversas intermináveis, deixei horas ao ar livre para ficar praticando algo que eu não achava muito agradável: essa coisa de demonstrar afeto virtual, mas valeu todos os raios solares e ventos gelados que deixei de sentir. Em vez disso senti o coração quentinho e uma vontade imensa de estar pertinho.
Em meio a convites de "venha me visitar" de diversas maneiras, eu decidi, quase sem querer, escrever-lhe uma carta. Sou dessas que gosta de demonstrações de carinho da maneira antiga. (A primeira nem chegou e eu já estou querendo enviar outra.)
No trabalho, passei a ouvir mais Rock Progressivo porque isso o lembrava, tomei mais chá mate, para lembrar da teoria que debates a respeito de chás em uma dessas madrugadas. Engraçado, quando a saudade bate, procuramos das maneiras mais inusitadas suprir a necessidade de outro alguém que sentimos.
Não sei se ele volta para cá, não sei se tudo isso resultará em algo a mais que uma boa amizade, mas tenho como realizado o meu desejo de conhecer um pouco mais do rapaz com os cachinhos mais lindos que eu já vi.
Outra coisa bonita que aprendi nesses dias: Melhor caminhar com saudade do que caminhar sozinho. Aos que me conhecem e sabem quão sentimental eu sou, já estava na hora desse meu lado reaparecer, não é? Mesmo que seja um tanto camuflado e de pés no chão.
O bonito da vida está nisso: Gostar das pessoas pelo que elas são inteiramente nos pequenos detalhes. E encontrar-se nos desencontros e reencontros que viver traz.
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