domingo, 18 de novembro de 2012

A Beleza dos (Re)Encontros



"Primavera brilhando em seu olhar
E o olhar que eu guardo na lembrança
Ainda traz a esperança
de te ter ao meu ladinho numa próxima estação."



Camiseta vermelha, calça jeans, tênis velho surrado, cabelo todo enrolado até os ombros, óculos, olhos claros e um olhar distante... Foi assim que eu o conheci.
Já perdi a conta de quantas vezes desisti de prestar atenção nas aulas de matemática por causa dele, em compensação decorei todos os tênis que ele tinha, adquiri prática em desviar o olhar e ocupar o pensamento com outras coisas em sua presença. Não havia outra escolha naquela situação, tanto para mim, quanto para ele.
No dia de sua despedida resolvi entregar seu retrato que eu havia desenhado - não era o primeiro, nem o último - para que ele levasse de recordação para Porto Alegre, cidade onde seria seu atual lar. Ele recebeu o desenho com um largo sorriso nos lábios, que eu guardei em um dos melhores lugares do meu coração.
Não havia solução a não ser esquecer e como naquele momento eu estava ganhando prática em não pensar no que doía, não foi tão difícil. De vez em quando dava saudade daqueles olhos lindos, mas não há muito o que se fazer quando caminhos se separam.
Depois de muitas neuroses e conversas com minhas amigas, cheguei a seguinte filosofia: "Chutar o balde" às vezes se faz necessário. Isso de deixar de fazer muitas coisas por  timidez impede que coisas boas entrem na sua vida por medo ou vergonha.
Lembro muito bem o dia que deixei minha timidez de lado mas prefiro não descrever... Burocracias de conversas a parte, nos demos muito bem. Não havia engano, as trocas de olhares eram recíprocas e uma afinidade praticamente instantânea nasceu. Conversas intermináveis, deixei horas ao ar livre para ficar praticando algo que eu não achava muito agradável: essa coisa de demonstrar afeto virtual, mas valeu todos os raios solares e ventos gelados que deixei de sentir. Em vez disso senti o coração quentinho e uma vontade imensa de estar pertinho.
Em meio a convites de "venha me visitar" de diversas maneiras, eu decidi, quase sem querer, escrever-lhe uma carta. Sou dessas que gosta de demonstrações de carinho da maneira antiga. (A primeira nem chegou e eu já estou querendo enviar outra.)
No trabalho, passei a ouvir mais Rock Progressivo porque isso o lembrava, tomei mais chá mate, para lembrar da teoria que debates a respeito de chás em uma dessas madrugadas. Engraçado, quando a saudade bate, procuramos das maneiras mais inusitadas suprir a necessidade de outro alguém que sentimos.
Não sei se ele  volta para cá, não sei se tudo isso resultará em algo a mais que uma boa amizade, mas tenho como realizado o meu desejo de conhecer um pouco mais do rapaz com os cachinhos mais lindos que eu já vi.
Outra coisa bonita que aprendi nesses dias: Melhor caminhar com saudade do que caminhar sozinho. Aos que me conhecem e sabem quão sentimental eu sou, já estava na hora desse meu lado reaparecer, não é? Mesmo que seja um tanto camuflado e de pés no chão.
O bonito da vida está nisso: Gostar das pessoas pelo que elas são inteiramente nos pequenos detalhes. E encontrar-se nos desencontros e reencontros que viver traz.

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