segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ferida aberta


Chove. Chove muito. Dentro e fora de mim. E quando as pessoas perguntam eu não sei explicar. Só crio diálogos mentais com uma única comparação: ralar os joelhos.

"(Domingo)
Ontem eu estava andando de bicicleta e caí, minha senhora. Não sei, perdeu o freio, ficou desgovernada, perdi a direção e capotei.  Ralei os dois joelhos e mal consigo andar. Toda vez que bate o vento eu agonizo.

(Segunda - em algum momento de manhã)
Passei o final de semana todo em desperta pois a dor era tão aguda que eu não consegui dormir. Você acha que estou fazendo tempestade em copo d'água, minha senhora? Eu não sei lidar com esses machucados.

(Segunda - a tarde)
Fizeram um curativo, minha senhora. Ainda dói quando eu ando mas está dando para caminhar lentamente. Tenho fé que vai sarar. Doutor prometeu que com o tempo passa e que vai fazer de tudo pra não doer mais. Não sei não, mas estou fazendo de tudo pra confiar."

Comparações estranhas, acho que eu desaprendi tudo: de escrever, de suportar os tombos que a vida dá... 


Nota: A estrutura do texto está péssima. Meu professor de redação iria ficar decepcionado, mas a ferida do joelho tá doendo tanto que eu não me importo.
Mais uma coisa: QUE TÍTULO HORRÍVEL É ESSE, LANA?

2 comentários:

  1. E aí você não sabe se deixa a ferida cicatrizar sozinha com o tempo ou se aceita um band-aid de um certo alguém. Será que cicatriza mais rápido ou só tapa buraco?

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  2. Shiu, menina Lana. Nem um piu sobre seu texto estar ruim. Está bonito, sim. Toda sua escrita, por mais simples que seja, encanta-me, enche meus olhos de brilho. É admirável como um assunto cotidiano vira na sua mão, alguma produção de texto.
    Ah... Estou com saudades! Muitas, na verdade. Sei que não somos assim tão próximas, mas sinto sua falta. Eu mandei mensagem no número de celular que você me passou, mas nunca me respondestes... Enfim, beijinhos, tá? Fica bem! @pequenatiss

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