segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sobrevivência: Sobre a convivência

"Os olhos mentem dia e noite a dor da gente."


Toda vez que você olha no espelho, percebe os olhos que as pessoas vêem. Percebe que não dá para saber de todos os sofrimentos que você traz dentro de si. Os olhos mentem.

Todos os dias eu acordo, vou para a aula e até sorrio. Sorrio, mas nem sempre por alegria, sorrio porque é pateticamente conveniente. Ninguém tem a obrigação de ver um rosto com uma expressão dura amargurada.
No caminho de volta para casa eu tento observar o céu, sentir o vento no meu rosto, o canto dos passarinhos - procuramos beleza no exterior quando o interior está contaminado. Na maioria das vezes até funciona. O sofrimento nos torna humilde. Mas há algumas exceções, quando os olhos transbordam tristeza. O desabafo dura o tempo que o coração pede e as horas continuam a passar.
Vou para o trabalho, encaro minha rotina, acho distrações, atraio sorrisos com coisas pequenas e belas. O sol vai embora preguiçosamente para a lua encontrar os seres humanos (nem sempre tão humanos quanto deveriam ser).
Sucede-se aquele ritual: jantar, tomar banho, ler e me distrair com algo banal (nem sempre nessa ordem) o final é a cama. O teto do meu quarto transforma-se em qualquer lugar que minha fértil imaginação me levar. Depois da dose noturna de utopia, eu penso na vida (muitas vezes isso me tira o sono) e naquela realidade alfinetante que se acumula no livro dos dias.
O dia não precisa ser exatamente como descrevi para que no fim eu acabe com um monte de minhocas na cabeça. A chave do manual da sobrevivência chama-se: procurar-uma-maneira-de-concertar-os-problemas-diários. Vazamento de pensamentos ruins, imaginação desaparecida, válvula da vontade de viver quebrada etc. Um ajuste aqui, um remendo ali, e se precisar um sorriso de plástico. Sobrevivência; sobre a vivência, sobre a convivência.

Aponta pra fé e rema, nós aguentamos, o bichinho da esperança sempre volta e nos faz procurar algo bonito. Aí eu durmo, a cidade dorme e cada cabeça é uma história.

10 comentários:

  1. Muito lindo seu texto..
    Realmente, ninguém tem a obrigação de encarar uma pessoa amargurada.
    Sorria. Isso basta.
    Meu lema.. amei demais aqui!

    Beeijos

    ResponderExcluir
  2. Lindo.... Realmente ninguém tem obrigação de suportar uma pessoa triste... por isso sorria mais leve a vida simplesmente! *-*

    ResponderExcluir
  3. E cada qual com suas esperanças tão cansadas de esperar...

    T.

    ResponderExcluir
  4. Acho que nosso cotidiano só seria mais um se não fosse essa bendita imaginação e a vontade de esconder interiores estragados.

    ResponderExcluir
  5. Que lindo seu blog!
    Parabéns pelos textos!

    ResponderExcluir
  6. Um dos poucos blogs bons - nesse caso, muito bom - que eu encontrei clicando em "próximo blog".

    Voltarei!

    ResponderExcluir
  7. Amei o seu blog! Viste o meu e comente no meu tbm!! http://blogheavenly.blogspot.com/
    Bjo
    Gabi

    ResponderExcluir
  8. Eu sorrio sempre e nunca por conveniencia... mas por poder prestigiar os pequenos detalhes de um dia talvez comum.

    ResponderExcluir
  9. Oi Lana. Estive por aqui a bisbilhotar um pouco. Gostei. Apareça por lá. Abraços.

    ResponderExcluir
  10. Suas palavras faz uma bela demonstração daquilo que somos.

    Elas fazem um papel relevante para que as leu cuidadosamente, pois, constitui um convite saboroso para a reflexão, sem falar na beleza estética destas palavras: "Sobrevivência; sobre a vivência, sobre a convivência".

    Abraço e sucesso!

    ResponderExcluir