sábado, 26 de junho de 2010

O amor não é uma competição

- O que você tanto lê? - Ele me perguntou sério. Era sábado e todo sábado eu ia na casa dele jogar vídeo game e comer pipoca de microondas.
- Ah. É mais uma dessas reportagens: morreram não sei quantas mil pessoas em tal lugar, coisas assim. - Mostrei a revista á ele.
- Já percebeu que ultimamente a maioria das notícias que temos são sobre isso?
- Mamãe diz que hoje em dia os seres humanos só se odeiam e se matam.
- Você acredita que seja só "hoje em dia"? - Ele deu ênfase nas três últimas palavras.
- Não, não. Houve até guerras antigamente...
- Mas as guerras existem até hoje. - Ele continuava sério.
- Como assim?
- Guerra por poder, que automáticamente torna-se guerra por dinheiro, pois dinheiro traz poder. Até guerra pra quem vai passar primeiro no caixa do super mercado existe. - Ele tinha razão, e cada palavra me fazia lembrar de coisas assim que eu havia presenciado. Talvez que eu tenho "tachado" como bobas.
- Os seres humanos. A maioria, só sabem se odiar. Acho que não todos, mas talvez a grande maioria. - Eu disse, logo entortando os lábios, era realmente ruim pensar que as pessoas só pensam em si próprias, e que nunca ninguém vai te amar de verdade.
- Mas sempre há exceções. - Ele esboçou um meio sorriso. Não era um sorriso falso, ele estava tentando me dizer que ia ficar tudo bem.
- Eu sei.
- Você acredita no amor não é? - O tom de voz dele era sereno, mas no fundo, trazia consigo uma dose de medo. Nunca sabemos realmente o que dói nos outros, portanto, fica complicado controlar o que dizemos.
- Sim. - Suspirei. - Mas não do modo que as pessoas dizem hoje em dia. Para você amar realmente alguém, você não precisa gritar ao mundo todo o que aquela pessoa faz você sentir. Isso só torna os sentimentos explícitos, não quer dizer que seja algo verdadeiro, sincero. Talvez o amor mais sincero seja dito num silêncio. Não de um modo constragedor, mas sim como se não precisasse dizer nada. O amor está e pronto. Sem argumentos, sem explicações. - Ele ficou em silêncio e sorriu, não um meio sorriso, e sim aquele sorriso que eu tanto gostava. Ligou o vídeo game, eu me sentei de modo confortável e fomos jogar.

Love's not a competition.

3 comentários:

  1. Por mais batido e clichê, a verdade é sempre dita em um olhar, um sorriso ou em um beijo. O amor sincero é aquele dito num silêncio. Porque gritar "eu te amo" todos nós conseguimos.







    E silenciosamente, voltaram a jogar e conversar sobre coisas bobas.

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  2. concordo, mesmo porque eu sou uma pessoa q odeia todo mundo, praticamente. E odeio mais ainda pelo fato delas serem tão superficiais, de acharem que falar uma coisa em alto e bom tom, vão fazê-las melhores do que outras. Eu acho que, não só as palavras "eu te amo" viraram clichês, mas também atos como amar, sentir, beijar. As vezes fico me perguntando porque tenho tanta raiva das pessoas.. mas me pergunto, porque uma pessoa me fez quere perguntar.

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  3. Não precisa dizer mais nada.
    Está tudo dito nesse belo texto.
    E vou deixar a minha humilde opinião: hoje em dia quanto mais se diz eu te amo, menos amor se sente realmente.

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