quinta-feira, 2 de abril de 2015

Ontem eu te escrevi. Escrevi chorando. Manchando esse bonito papel branco de sangue. Não esse sangue que corre nas veias, vermelho vivo,  bonito como você gosta. Manchei esse papel com o sangue das minhas palavras. Perdão, mas doeu pra caralho arrancar tudo aquilo de dentro de mim. Eu que sempre fui dessas mulheres que cospem a vida para todo mundo ver, não consegui me controlar essas lágrimas ardidas que saíam dos meus olhos. Eu estou morrendo de vergonha.
Beatriz, eu falo demais. Você sabe. Você aí, tão serena, tão bonita... Esperando o próximo trem passar acariciando os próprios cabelos.  E eu aqui, com esse batom vermelho desbotado, esse ranger dos dentes involuntário, essas unhas roídas esperando qualquer coisa que me leve para outro lugar.
Eu estou cansada. Você sempre esteve certa. Eu sempre fui tão impulsiva e hoje estou cheia de pontos finais. Ontem eu senti saudades desse teu cheiro de capim limão e das coisas que não fizemos porque eu... porra, eu sou impulsiva. Espero a vida no 220 o tempo todo e às vezes estrago tudo. Deixo passar o que poderia ser um foto bonita para o nosso álbum. Uma lembrança colorida.
Ontem eu te escrevi Beatriz, mas não enviei.
Hoje eu te escrevo novamente, mas não sai lágrimas dos olhos (milagrosamente). Só a saudade manchando esse papel bonito. Você me sentiu meio vazia? Eu não sei o que dizer.
Estou oca.

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