terça-feira, 25 de maio de 2010

Breves amores de livrarias

Eu passo a maior parte do meu tempo em livrarias, sebos e bibliotecas. Tenho poucos amigos e não faço questão de ter mais. Não saio muito. Prefiro muito mais um dia de inverno debaixo do edredom assistindo um filme antigo. Era um dia como qualquer outro. O ar da cidade era poluído, não restava praticamente nenhuma árvore, todas haviam sido substituídas por edifícios enormes. Eu conhecia quase todas as livrarias da cidade, e quando abria uma nova, fazia de tudo para ir conhecê-la. E assim eu fiz. Era grande, estantes enormes lotadas de livros; cheiro de papel novo, histórias novas, lugares novos para eu conhecer - o paraíso. Fiquei ali olhando por mais ou menos quarenta minutos. Até que alguém surgiu atrás de mim, olhei-o pelo canto dos olhos, fui virando aos poucos, sutilmente. Ele era alto, ombros um tanto largos, cabelo ruivo e liso, trajava uma camiseta branca surrada de alguma banda que eu não me recordava, calças jeans desbotadas e um all star vermelho. Por alguns segundos nem notou que eu estava olhando-o, estava prestando atenção que livro que tinha em mãos. Só percebeu quando foi devolver o livro a prateleira; me olhou de relance e depois saiu de perto. Continuei a fita-lo até ele sem esconder entre as prateleiras. Voltei aos livros, não sei exatamente quanto tempo se passou, mas ele voltou ao meu lado, sei que não era por mim, e sim pelos livros, mas mesmo assim me deixou feliz. Olhei-o novamente e ele também olhou pra mim, sorriu desta vez e eu retribui. Peguei o livro que eu havia escolhido e caminhei para o caixa. Saí de lá decidida á duas coisas. Terminar aquele livro aparentemente maravilhoso que eu havia comprado; e a voltar mais aquela livraria, quem sabe um dia eu tome coragem e puxe assunto com ele.

2 comentários:

  1. Onde eu moro só tem uma livraria, o dono é antipático e eu não gosto dele. Compro meus livros pelo submarino ou quando viajo (prefiro a segunda opção).

    Não sei se você já foi ao Rio, mas se for lá, vá a Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, é o meu lugar favorito no mundo (mesmo que eu só tenha ido ao Rio umas três vezes e lá só uma).

    Um beijo,

    Letícia.

    P.S: Também prefiro as pessoas de papel e pixels do que algumas reais.

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  2. um dia quero ter essa moral.



    P.S: Também prefiro as pessoas de papel e pixels do que algumas reais.[2]

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