quarta-feira, 3 de março de 2010

Lonely dreamer

Garoava, o vento seco e gélido, juntamente com as pequenas partículas de água tocavam o rosto da menina. Seus olhos eram distantes e aparentava estar cansada. Nas costas a mochila fazia com que a subida de sua rua fosse mais longa, ela caminhava devagar, como se não quisesse chegar em casa, também não se importava com o modo no qual seu cabelo ficava bagunçado enquanto o vento batia.
E ele apareceu, não me pergunte como, fui só o espectador. Talvez ele tivesse saído de algum lugar, como um beco ou de uma casa mesmo, e eu não tenha visto. Eles começaram a conversar, talvez ela o conhecesse, pois o modo afetuoso como um tratava o outro era muito bonito, velhos amigos eu creio, talvez algo mais. Continuaram a subir a rua. A feição da garota havia mudado, e a do menino, era sempre a mesma, a de alguém sempre feliz. Continuaram a conversar, até chegar no portão da menina. Era um portão cinza, um tanto enferrujado, e a frente da casa dela havia várias árvores, de todos os tamanhos, o que era particularmente encantador. Os dois se olharam por alguns instantes. E como fumaça, ele sumiu. Talvez ele fosse só parte da cabeça dela, ou da minha, eu sempre fui solitário sabe? E achei que talvez fosse o único, sempre imaginei as pessoas felizes (não que isso não exista, ainda acredito que restam pessoas no mundo felizes, ou talvez aquelas que encontram a felicidade nos lugares onde menos se espera), talvez eu tenha me enganado, e o mal da humanidade seja a solidão, ou não ter a coragem suficiente de demonstrar o quanto precisam uns dos outros, e o quanto um olhar de ternura é bom.

2 comentários:

  1. Como diz aquele velho e clichê ditado, olhares que valem palavras.
    Eu creio que a felicidade está no coração de todos, só que alguns fazem questão de tranca-lá a sete chaves e assim, são infelizes...

    Gostei muito do seu blog, vou vir mais vezes!

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  2. É....essa necessidade que temos um do outro deve ser maior do que a covardia de não expressar isso.

    Adorei!


    Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar:

    'Digam o que disserem, o mal do século é a solidão'

    I'm in my isolation.


    Incontáveis abraços, doce Lana.

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