quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Os disfarces do amor.

Ventava, até demais, e isso me irritava, eu já estava ansiosa, o vento trazia o cheiro da comida, aquilo tocava o meu rosto e impreguinava minha cabeça com lembranças - Ele não vai vir, ele te esqueceu aqui, ele não vai jantar. - Maldito vento, atormentava-me e trazia o meu pessimismo de volta. Eu girava meus olhos por todo o restaurante, e nada dele chegar, maldito arrogante, porque tinha que me decepcionar mais uma vez? Passaram-se mais alguns minutos, e eu olhei pela milésima vez para a porta, e lá estava ele. Talvez ele não fosse tão ruim assim, ruim era minha ansiedade, meu pessimismo, devia ter amordaças para as lembranças, a gente colocava nelas, e só tirava no momento mais propício.
- Olá - Me comprimentou com aquela voz grossa envolvente. (Tá, eu estou blefando, a voz dele era fina, eu que desejava que a voz dele fosse grossa, mas ninguém é perfeito não é?) Não fez cerimonia, puxou a cadeira, sentou-se, típico dele, sempre confiante (mesmo a voz dele sendo fina e não passando confiança alguma).
- Oi - Eu respondi, com a minha ótima educação, senhorita sou rude até o meu orgulho morrer. (E claro a minha voz era muito confiante, não imagina o quanto) Enfiei minhas mãos por baixo da mesa, não queria mostrar á ele que eu estava nervosa. Alias, maldita ansiedade, sempre fala por mim, eu mal abro a boca.
- Bom Lucy, eu vou direto ao ponto, precisamos dar um tempo. - Até aquele dia eu adorava a sinceridade dele sabe? Nunca foi falso comigo, sempre foi direto, acontece que sinceridade sem piedade machuca as vezes meu bem. Eu revirei os olhos pelo restaurante, parei-os na vidraça, os faróis dos carros que passavam na rua refletiam no vidro molhado pela leve garoa que começara a cair naquele instante. - Olha, eu fui muito feliz contigo - Ele continuo, aquele ponto que não devia ter chegado, não olhei para ele, não sabia qual expressão ele estava fazendo, nem absorvi o que ele disse, eu já havia ouvido o necessário.
Esperei ele terminar, quando percebi que a voz dele havia sumido do ambiente, fitei-o, achei que ia chorar, mas fui surpreendi, nada escorreu, nem dos olhos, nem do coração. Minha respiração era leve, totalmente eu contrário do que antigamente eu imaginava que seria, achei que ia cair no choro, precisaria de psicólogo, mas não. A gente as vezes se engana não é? Amor mascarado por carência pode ludibriar meu caro amigo.
Peguei minha bolsa e saí, sem dizer nada. Talvez a educação tenha me faltado naquele momento, mas não fazia diferença.
Na rua ventava, mas desta vez o vento me agradou, trouxe a chuva consigo, refrescando minha alma, e retirando o pouco da tensão que havia me sobrado, e eu caminhei o resto da noite . Mas não importava, para quem havia caminhado uma boa parte da vida num ciclo vicioso, de um amor costumeiro que na verdade era apenas a carência embalada, muito bem disfarçada; andar em círculos não era nada, eu estava livre, pronta para outra. Não para outra mentira, mas sim para outro dia, porque é assim que a vida caminha, como dizia o mestre Cazuza: O tempo não pára.
Eu esqueci de mencionar, naquele noite eu conheci um cara muito bacana, um tal de amor próprio.

Os personagens são fictícios.

4 comentários:

  1. Uhuuuu paguei pau agora... Ficou muito boa essa história, queria eu consegui escrever assim viu...
    Continue escrevendo assim moça, que um dia eu ainda vou comprar um livro seu... =^^=
    Bjinhosss
    @rafaelbeto

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  2. Laninha, cada dia tu escreve melhor! :) Além de adorar seu modo de escrever, adoro quando você dá todo os detalhes e mistura essa coisa de pensamentos e... Você é ótima, é isso. HDHASDUSHD. Adorei. :)

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  3. Só esse cara bacana que conheceste é quem pode nos ajudar a nos livrarmos de todos os males causados por muito amor que damos a pessoas alheias.

    Somente fictício? Mas, bem real!!!

    Ah....tente entrar no msn...o que acha de escrevermos algo juntos???

    Tenho certeza que me agregarias bastante valor.

    Ah, obg pela sua presença que tem sido praticamente constante no fatoSempalavras...

    Incontáveis abraços.

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  4. O tempo não para mesmo, não é?!
    Amor é um lance muito engraçado..

    Legal o texto, bem escrito. :D

    Hachiko Eickmann. ~
    http://landvonnie.blogspot.com/

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