quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A frequência da nostalgia

- Lucy, tire 30 cópias desses arquivos, AGORA! - Foi o que minha chefe disse naquela manhã de Janeiro, ela era super educada sabe? Tratava os empregados super bem. Tsc.
Caminhei até a máquina de xerox, e iniciei meu trabalho, não que seja cansativo, cansativo é a voz da minha chefe, será que todo chefe é autoritário? Talvez seja para não perder as rédeas da situação. O pequeno rádio estava ligado em uma rádio qualquer, não sei lhe falar qual era, aliás, eu fico me perguntando porquê, até hoje, não comprei um rádio novo, aquele era uma velharia, mas eu o amava, nós seres humanos nos apegamos a coisas tão banais. Foi quando começou a tocar aquela música do Ronan Keating "Baby can I hold you tonight", meu estômago revirou, acho que esse é um dos sintomas que as lembranças provocam, sejam elas boas ou ruins. Não sei porque, mas naquele momento, a minha afeição pelo rádio morreu, sim, eu estava culpando-o por tocar aquela canção, justo para mim, porquê para mim? Por que não esperou minha chefe chegar? Na verdade eu só estava tentando arranjar uma alíbi por aquelas lembranças terem voltado. Acho que a maioria dos seres humanos tem essa certa mania, de ser esconder atrás de outras coisas, de outras pessoas, só para não abrir os olhos diante a dura verdade. Deixei o rádio pra lá, tentei pensar em outra coisa, mas não deu, a música ajudava com que tudo voltasse á tona.
A raiva brotava, trazendo consigo vários outros sentimentos, a minha vontade era de jogar aqueles arquivos naqueles trituradores de papel sabe? Não sei o nome daquilo. Como se as minhas lembranças, fossem cada uma, um papel daquele, assim seria tudo destruído. Mas não, eu não tinha coragem, eu perderia o emprego, e aliás, eu sei muito bem, que existem lembranças que não somem, nem com o tempo... Como se fossem um papel indestrutível. Talvez o tempo á tire do centro das atenções, cicatrizando as feridas, mas isso é só uma hipótese, mais um talvez para minha lista.
A música acabou, e em seguida começou uma música animada, não lembro quem á cantava, mas tentei prestar atenção nela e no meu trabalho, me distrair. Me torturar com as lembranças não traria o tempo de volta. E é assim que a banda toca meu bem, bem blues, para gente se animar, se apegar ao radinho bem banal (que faz uma diferença enorme) e seguir a vida turbulenta do século XXI.

6 comentários:

  1. Texto legal! gostei daqui. beijos

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  2. Muito bom o texto, curti muito... Já tive chefe que era super educado, parecia mais um cavalo hehehehe
    Bjinhosss
    @rafaelbeto

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  3. adorei o texto! E não queria ter uma chefe assim ;x hahahhaa...
    Nostalgia... as vezes eh boa a sensação rsrs

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  4. A música que gostamos nos livra de tudo que possa ser ruim.
    E chefe é uma coisa que nem se comenta...
    Beijos
    Juliane

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  5. Encontrei palavras pra uma situação que estou a passar....

    pq nós, seres humanos, na maioria das vezes procramos desculpas, conseguimos até a genialidade de conseguir um álibi , algo que muitos ñ conseguem, mas encarar de frente a bendita verdade já não é pra qualquer um ....
    Certos momentos, até eu mesmo sou assim..
    Ah, em relação à música...adoro tal canção!

    ____

    Ando sumido, comecei a trabalhar e fazendo faculdade junto...daí falta tempo =(

    Mas, sempre que possível, certamenet, virei aqui. Este canto merece muito minha atenção.

    Incontáveis abraços.

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  6. Ser humanos têem mesmo essa tendência de ser esconder atrás de outras pessoas, ou até mesmo coisas. O duro, é que, talvez, a coisa que agente mais queria se esconder não consegue de jeito nenhum. Que são,as imensamente doloridas lembranças.

    Estava com saudade daqui, Lana. Parabéns, e boa sorte! ♥

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